| entre 1999 e 2000, deve render R$ 18 milhões aos cofres do clube durante o período, maior acordo do futebol brasileiro.
Entretanto, a pedida inicial da diretoria corintiana era de algo em torno de R$ 30 milhões,
valor que assustou possíveis investidores. Por conta disso, o trabalho do departamento de marketing do clube ainda é colocado em cheque. Na opinião do professor de marketing esportivo do IBTA Fernando Fernandes, o alvinegro acertou na contratação no aspecto esportivo, mas pode estar colocando em risco as economias do clube. “Sem dúvida é uma
boa contratação, pois o investimento pode garantir títulos. Porém, acho que o Corinthians
está pensando apenas em curto prazo e isso poderá prejudicar o fluxo de caixa”, avalia o professor.
O Corinthians ainda negocia mais dois espaços publicitários no seu uniforme. Especula-se
que boa parte do valor arrecadado com esses patrocinadores seja repassada ao Fenômeno, para bancar o alto salário do atacante.
Outra opção da diretoria corintiana para ter lucro com o negócio é apostar no poder de
compra da Fiel Torcida. Além de comercializar novos produtos e souveniers para 2009, o
preço de alguns setores do Estádio Pacaembu foi inflacionado para aumentar a arrecadação em jogos do Corinthians. Para Fernandes, o clube peca na comunicação com o seu torcedor. "Eles falam a mesma língua com todos os públicos. Não há ações específicas para classes distintas", conclui o professor, que desde 2005 trabalha como Diretor de Relações Internacionais da Confederação Brasileira de Futsal.
Marketing exemplar
Apesar da rivalidade, o São Paulo pode ser considerado um exemplo para o Corinthians na busca por um plano de marketing bem definido. O Tricolor investe em parcerias para
relacionar sua marca a produtos de sucesso e trabalha em diversas ações com o seu
torcedor. Além disso, o clube do Morumbi não costuma gastar muito em suas contratações, aproveitando sempre as oportunidades do mercado.
Segundo o professor Fernandes, que trabalhou em um projeto com o Tricolor em 2007, o
São Paulo se diferencia dos demais clubes brasileiros por um conjunto de fatores, como estrutura e gestão profissional. “Posso dizer que o São Paulo é o que melhor faz isso no
Brasil, por isso joga a Libertadores todo ano e sempre disputa títulos”, avalia, citando a presença do clube nas últimas seis edições do torneio mais importante e lucrativo do futebol sul-americano.
Recentemente, o clube firmou acordo com a Warner Bros., lançando uma série de quase 400 produtos licenciados. Os são-paulinos mirins podem encontrar, por exemplo, um Pernalonga
de pelúcia com a camisa tricolor. Além disso, planos como o “Sócio-Torcedor” e “Batismo Tricolor” ajudam o São Paulo a fidelizar torcedores de todas as idades e classes sociais, oferecendo vantagens e descontos exclusivos.
Contudo, apesar dos investimentos, os clubes brasileiros ainda estão longe dos europeus
no que diz respeito ao marketing e ao cuidado com seu torcedor/consumidor. Enquanto o Corinthians festeja o novo patrocínio, o Barcelona garante a maior parte da sua receita com seus 155 mil sócios, já que o estatuto do clube espanhol não permite patrocinadores na camisa. “Em termos comerciais, nenhum clube do Brasil se estruturou da maneira correta. Temos muito que aprender”, comenta Fernandes.
Para Sandro Rosell, ex-vice-presidente do Barcelona, com experiência de 18 anos no departamento de marketing da Nike, o segredo do Barça é o investimento na qualidade de seus jogadores. "Sem uma equipe muito boa não haverá clientes", afirmou Rosell em um encontro internacional sobre marketing esportivo, realizado em Madrid, na Espanha.
Mercado em expansão
À medida que cresce o investimento dos clubes no setor, cresce também a procura por
cursos de profissionalização no setor. Recentemente, a Faculdade IBTA lançou sua pós-graduação em marketing esportivo, boa opção para quem quer seguir carreira em uma área nova e promissora.
Para o professor Fernando Fernandes, o mercado está em expansão e carece de
profissionais gabaritados no setor. “Apesar de ainda termos poucos eventos esportivos no Brasil, sentimos falta de profissionais capacitados que atendam à demanda existente”, opina. |