Outubro/Novembro 2008 - Edição 01  
     
 
 
             
   
 
 
   
 
O futuro do papel de TI nas organizações
 
   
  Por Mauro Negrete
   
  A imprensa especializada em TI destacou recentemente com muito alarde a afirmação de
Cassio Dreyfuss, vice-presidente e diretor de pesquisas para a América Latina do Gartner,
de que as organizações de TI, tal como estão estruturadas dentro das companhias, irão
desaparecer em pouco tempo.

Tenho defendido este ponto já há algum tempo, e os alunos com os quais tenho trabalhado
nos últimos anos são testemunhas disto. A evolução acelerada e a massificação do uso da
Tecnologia da Informação nos últimos anos estão criando uma nova geração de profissionais
e consumidores, denominada por alguns de Geração Y, que imporá uma nova dinâmica aos
negócios. Paralelamente a isso, podemos perceber um claro movimento da indústria da
tecnologia, focando os seus investimentos no desenvolvimento de softwares cada vez mais
sofisticados, o que exigirá das organizações um corpo técnico cada fez menor para a sua
aplicação aos negócios. O novo padrão de comportamento da chamada geração Y, com muito
mais independência e habilidade para utilizar tecnologia, associado ao surgimento de novas
tecnologias mais sofisticadas e muito mais amigáveis, implicará numa demanda cada vez
menor por profissionais de TI com os perfis e com as competências técnicas exigidas
atualmente. Em outras palavras, a combinação de softwares mais evoluídos com usuários
mais habilidosos e maduros, permitirá que a aplicação da tecnologia aos negócios seja feita
com maior intensidade e em muitos casos diretamente pelos próprios gestores dos
processos de negócios.

Com isto, não quero dizer que não haverá mais áreas ou departamentos de TI dentro das
empresas, mas sim que as suas formas de atuação deverão ser muito distintas das atuais.
Evidentemente, esse movimento de mudança para o novo modelo acontecerá de forma
gradual, acompanhando a situação de cada empresa, dependendo muito do segmento onde
a empresa está inserida e também do seu posicionamento no mercado. Porém, uma
tendência parece clara: as empresas dependerão mais de tecnologia para atender o
novo perfil de consumidores e sua exigência por lançamentos de produtos
ou serviços cada vez mais elaborados e mais freqüentes.

Não é muito simples fazer uma previsão precisa do novo modelo de atuação de TI nas
organizações, mas a democratização do seu uso, a evolução dos softwares aplicativos e o
desenvolvimento de novas competências e habilidades pelos usuários, me fazem crer que ela
evoluirá na direção dos negócios. Ela passará a ter um papel de forte viabilizadora da
inovação, principalmente aquela baseada nos processos. No meu entendimento, a TI dentro
das organizações será utilizada cada vez mais de forma estratégica, focando três dimensões.
- A primeira de prover infra-estrutura tecnológica, num modelo cada vez mais baseado no
compartilhamento, utilizando-se fortemente dos serviços de parceiros especializados e com
um direcionamento para a busca das melhores tecnologias a custos mais competitivos.
A segunda de gerenciar os riscos que o uso da tecnologia pode oferecer à continuidade dos
negócios e à perda de vantagens competitivas, baseando-se em modelos de governança
consistentes que garantam a execução da estratégia. E a terceira e última, que a meu ver
representará de fato a grande mudança na forma de atuação das áreas de TI, será a de
prover soluções tecnológicas que permitam às organizações criarem novos modelos de
negócios, mais inteligentes e inovadores, e que as levem a patamares de produtividade e
excelência cada vez mais altos. Isto será um dos pilares que viabilizarão a criação superior
de valor pelas organizações. Esta nova atribuição da TI de fornecer soluções tecnológicas
para o negócio será distinta do modelo atual, uma vez que as tecnologias deverão evoluir
muito nos próximos anos. O foco não será mais no desenvolvimento ou implantação de
sistemas, mas sim na pesquisa, seleção e integração de diferentes softwares aplicativos,
muito mais amigáveis que os atuais e de fácil implantação, que darão às organizações
muito mais flexibilidade e velocidade para reinventarem os seus processos, e
conseqüentemente, seus produtos e serviços..

Essa nova forma de aplicar tecnologia aos negócios exigirá profissionais com competências
muito distintas das atuais. Evidentemente, o mercado ainda demandará profissionais com
perfil e competências eminentemente técnicas, porém as oportunidades de trabalho para
esses profissionais deverão estar limitadas a indústria da tecnologia. O grande mercado de
trabalho continuará sendo as empresas dos demais setores, e os profissionais que
trabalharão com TI ainda deverão conhecer com muita profundidade, mais que os demais
gestores das empresas, as tecnologias existentes e suas principais tendências. Porém, isto
será necessário, mas não suficiente. Também serão imprescindíveis profundos conhecimentos
sobre negócios. Esta combinação de conhecimentos sobre as tecnologias emergentes com
competências na gestão dos negócios é o que diferenciará o profissional de TI do futuro,
tornando-o muito mais versátil. Conhecer com profundidade a indústria da empresa para a
qual se está trabalhando será, na maioria dos casos, um requisito fundamental.

Acredito que em quatro ou cinco anos, a aplicação da tecnologia da informação dentro
das organizações deixará definitivamente de ser uma atribuição de técnicos e passará para
as mãos de gestores de negócios. Vamos esperar para ver!


Mauro Negrete é coordenador de Pós-Graduação em Gestão da Tecnologia da
Informação da Faculdade IBTA. Faz parte do Conselho Editorial de IT Mídia e é sócio
da Vision Group, consultoria na área de TI.

 
     
     
 
 
 
 
   
     
     
   
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