|
|
| |
|
| |
Antony - Quais foram os principais aspectos da Inteligência Computacional discutidos no Congresso? E quão palpáveis eles são para a sociedade como um todo?
José Demísio - Como disse, a área de Inteligência Computacional busca a modelagem dos processos mentais
para o desenvolvimento de sistemas computacionais ditos inteligentes para as diversas áreas de aplicação. No congresso foram apresentados diversos tipos de trabalhos de aplicações práticas, com exemplos de empresas que adotam as tecnologias de IC. Também foram apresentadas várias palestras por pesquisadores de renome na área, que atuam desde a década de 50 e que deram as diretrizes para o estágio atual das pesquisas em IC. Novas motivações e novos modelos foram apresentados, mostrando possibilidades que só poderiam ser imaginadas atualmente, graças à facilidade
de recursos computacionais potentes e às descobertas em neurofisiologia. A área de IC mostra-se cada vez mais essencial para a modelagem dos processos mentais que podem ser usados em diferentes outras áreas de aplicação, como a psicologia, por exemplo.
Antony - O Brasil está envolvido neste processo? Quão avançado estamos em pesquisas relativas a isto? Poderia
nos dar alguns exemplos?
José Demísio - O Brasil está muito inserido neste processo, tanto do ponto de vista de neurofisiologia, como da Inteligência Computacional. O número de pesquisadores que trabalham na área de IC só tem crescido nos últimos 10 anos. Entretanto, ainda é muito reduzido o número de indústrias e de empresas em diferentes setores que utilizam tecnologias adaptáveis por meio de IC. Há um descrédito nas tecnologias por falta de informação e desconhecimento dos benefícios que elas podem trazer. Do ponto de vista de Inteligência Computacional, pode-se citar as experiências do grupo de IC do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que procura desenvolver aplicações voltadas para área espacial em meteorologia; análise de imagens de satélite; processamento de sinais e imagens; segurança de redes e de sistemas de informação; engenharia de software para estimativa de esforços de desenvolvimento de sistemas; planejamento automático inteligente para o controle de satélite; navegação autônoma de robôs; descoberta de conhecimento por meio de mineração de dados espaciais etc.
Denis - Quais os benefícios que a Inteligência Computacional traz, no aspecto humano? Como ela ajuda a melhorar a vida das pessoas?
José Demísio - As técnicas de Inteligência Computacional podem trazer benefícios para o ser humano em diferentes aspectos, mas principalmente naquelas tarefas de suporte à tomada de decisão. Classicamente, utiliza-se a teoria das probabilidades para modelar os processos decisórios que em geral estamos envolvidos no dia-a-dia. Muitos teoremas existem, sendo o mais utilizado o Teorema de Bayes. Entretanto, quando trabalhamos com probabilidades precisamos ser explícitos nas nossas formulações e considerar as hipóteses e o que contradiz a hipótese. Ou seja, se atribuímos probabilidade a uma hipótese, devemos também atribuir probabilidade ao que refuta a hipótese, ou seja, precisamos ser completos no conhecimento. Algumas técnicas de IC permitem a modelagem das hipóteses considerando apenas as informações disponíveis, sendo desnecessário, portanto, atribuir probabilidade ou crenças ao que refuta a hipótese. Nesta situação, se trabalha dentro de uma abordagem de raciocínio sob incerteza. Isso pode facilitar a modelagem de um problema permitindo a busca por soluções satisfatórias para o mesmo. Por outro lado, a automação de processos pode significar menor carga de trabalho para o ser humano, liberando para realizar outros tipos de tarefas que agregam novos valores aos aspectos dos problemas.
Denis - Qual a receptividade deste assunto no meio acadêmico? Isto é, há previsões de que o assunto comece a ser ensinado nas universidades?
José Demísio - O número de pessoas que têm buscado soluções computacionais inteligentes tem crescido nos últimos 10 anos. Muitos estudiosos, em diferentes áreas do conhecimento, têm se valido das técnicas e ferramentas de IC para abordar seus problemas em suas pesquisas. Nos início dos anos 90, as tecnologias de IC eram estudadas e disseminadas apenas na pós-graduação strictu sensu, mas a popularização das técnicas no meio acadêmico levou ao uso de IC por diversos setores da sociedade, o que fez com que algumas universidades no Brasil começassem a ensinar estas tecnologias nos primeiros anos da década de 90. Hoje, já existem diversas universidades que possuem as disciplinas de Inteligência Artificial, Redes Neurais, Lógica Nebulosa e Algoritmos Evolutivos nas suas grades de cursos, principalmente na área de Ciência de Computação e Tecnologia da Informação. Na Faculdade IBTA, por exemplo, o curso de Análise de Sistemas de Informação tem uma disciplina de quinto semestre, Sistemas de Informação Integradas, que aborda, de forma introdutória, as definições de algumas técnicas de IC.
Dica de leitura
Inteligência Artificial, Stuart Russell e Peter Norvig, Editora Campus, 2004 |
|
| |
|
| |
|
| |
|
| |
Agosto/Setembro 06
Edição 09 |
| |
|
 |
|
| |
| |
|
| |
O professor de Logística, Raul Arellano Caldeira Franco, da unidade Campinas, discorre sobre
os fatores fundamentais
para a formação de um profissional de primeiro
nível na área de logística. |
| |
|
| |
|
|
 |
|
| |
|
 |
|
| |
|
|