O futuro é agora
 
  O gerenciamento de projetos não
é mais uma novidade dentro das grandes corporações, mas uma necessidade. O mundo já se atentou a isso e o Brasil tem dado boas contribuições para a evolução do tema e da profissão Gerente de Projetos.

O professor Cláudio Luis Carvalho Larieira esteve recentemente
na Espanha para participar de
um evento do PMI (Project Management Institute), e ao
mesmo tempo representar a Faculdade IBTA e demonstrar
sua experiência no assunto.

PMI
– “O PMI (Project Management Institute), apesar de ter sua origem nos Estados Unidos com os engenheiros americanos na década de 60, hoje, seguramente, é a maior entidade envolvida em Gestão de Projetos, com mais de 215 mil afiliados no mundo inteiro.”

Espanha
– “Foi realizado na Espanha o evento chamado de Global Congress do PMI EMEA, no Hotel Meliá Castilla, em Madri. Este evento é realizado anualmente, sempre em uma região geográfica, e neste ano estiveram presentes mais de 800 profissionais e acadêmicos da Europa, Oriente Médio e África, envolvidos ou interessados em Gestão de Projetos. Tivemos
por lá mais de 20 brasileiros assistindo o evento e fomos representados por mais dois palestrantes além de mim: o Prof. Marcus Vinicius Pessoa, representando o ITA, e o Prof. Ângelo Valle, do PMI Rio de Janeiro.”

Surpresa
– “Foi interessante perceber como os braços e a influência do PMI se estendem em regiões onde nem se
imagina que esteja se discutindo ou fazendo Gestão de Projetos, como países do leste Europeu ou do norte da África. Claro, nós brasileiros também causamos surpresa aos
europeus com nosso estágio de adoção de Gestão de
Projetos, e esta foi uma experiência muito interessante.”

Evolução
– “Como o PMI é um instituto formado em grande parte por profissionais de vários segmentos da engenharia e, mais recentemente por profissionais de TI, é natural que o enfoque de um evento como este seja orientado para questões mais técnicas. Causou surpresa o fato de termos no congresso uma grande quantidade de artigos sobre a gestão de pessoas no contexto de projetos e a Gestão de Portifólios e de Programas. Parece que finalmente os gerentes de projetos começam a perceber que não basta dominar as técnicas e ferramentas relacionadas à Gestão de Projetos para obter sucesso em um projeto”.

Presente e futuro
– “Outra necessidade que tínhamos há tempos como Gerentes de Projetos, e que agora começa a
ser mais discutida e resolvida, é a Gestão de Portifólios e de Programas. Uma coisa é gerenciar um projeto único, sozinho, em que temos um escopo, prazo e custos dissociados de outras iniciativas dentro da empresa. Outra coisa é quando trabalhamos em organizações que precisam gerenciar vários projetos ao mesmo tempo, alinhando seus objetivos, escopos, custos. Neste último, precisamos ter uma visão mais alargada sobre a visão de Gestão de Projetos, de como selecioná-los na organização, dentre tantos, de como avaliar seus retornos, necessidades, impactos, benefícios. Neste sentido, a Gestão de Portifólios e de Programas trata exatamente destas questões. O PMI deu um passo muito importante para responder a esta necessidade e lançou neste congresso seus dois novos livros:
o Standard for Portfolio e o Standard for Program. Nos próximos dois ou três anos estes serão os assuntos mais discutidos e amadurecidos em gestão de projetos”.

Desafios
– “Passamos nos últimos anos por um processo de amadurecimento em Gestão de Projetos, período em que consolidamos as questões mais técnicas e operacionais. Por exemplo, temos aprendido ainda como descobrir e formalizar
o escopo de um projeto, ou como controlar os custos, ou ainda, como avaliar se os projetos tiveram sucesso ou não. Creio que esta fase mais operacional esteja chegando ao seu fim. Nossos desafios agora começam a se traduzir em como entregar projetos aderentes às estratégias das organizações, falando especificando de ROI (Returno on Investment), ou como garantir que ao final dos projetos as pessoas continuem dispostas a trabalhar conosco nos próximos. Estes são desafios em que ainda temos muito a caminhar. Temos também o desafio de conseguir implementar nas organizações o modelo de escritório de projetos, de maneira efetiva. Os chamados PMO – Project Management Office, especificamente no Brasil, são desafios enormes quando se pensa em uma cultura informal e pouca disciplinada como é a nossa na hora de gerenciar projetos”.
 
     
 
   
  Julho/Agosto 2006 - Edição 08
   
 
 
   
  Por José Milani
Professor de Gestão de Projetos, Fundamentos
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