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Rodrigo
Corrá - Como a população
pode fazer a sua parte?
Rosana Aparecida Calobrisi - Creio
que a população, em primeiro
lugar, precisa ser orientada e formada para
que uma postura ética e socialmente
responsável seja uma postura comum
a todos. Existem muitas formas de atuação
nesse sentido que poderiam caber a população
como, por exemplo, a reciclagem do lixo doméstico,
a educação dos filhos, a denúncia
de desmatamentos, até mesmo a simples
atitude de não jogar lixo em ambientes
indevidos, não jogar resíduos
domésticos inadequadamente como o óleo,
por exemplo, que não deve ser depositado
em água corrente.
Ana Maria Moura - Diante da freqüente
exposição aos escândalos
e denúncias de corrupção
nos órgãos públicos,
como conscientizar o cidadão sobre
o valor da ética?
Maria Lúcia Baltazar - Estes
fatos lamentáveis podem ser a grande
inspiração para a conscientização
da importância de cada um desenvolver
o seu papel. Ou seja, fazer a sua parte
na sociedade, educar seus filhos com valores
e ética, ser ético em seu trabalho,
com seus parceiros, com a comunidade em que
vive. Exercer o seu direito de cidadania com
responsabilidade e ficar mais atento aos candidatos
que escolhe para representá-lo no governo.
A corrupção sempre existiu e,
infelizmente, não é um privilégio
do Brasil. O que cada um deve fazer é
não se sentir parte deste sistema,
e fazer
o máximo que pode para não ser
conivente com ele.
Rodrigo Corrá - A política brasileira
atrapalha muito para
que o conceito de ética seja valorizado
pelo povo?
Rosana Aparecida Calobrisi - O povo
brasileiro tem presenciado alguns exemplos
de conduta não ética, por parte
de alguns políticos brasileiros. Acredito
que se a população possuir uma
boa base de formação ética,
não serão maus modelos apenas
que irão interferir nas atitudes de
uma população. Nesse sentido,
há de se cuidar muito para que
cada vez mais o discurso ético permeie
e solidifique a educação em
casa e nas instituições educacionais.
Ana Maria Moura - Quando falamos em ética,
freqüentemente ouvimos: "ética
é ótica". O que fazer para
alinhar essa ótica? Seria possível
integrar valores num país de origem
tão diversificada, como é o
Brasil?
Maria Lúcia Baltazar - “O
que é ético para mim, pode não
ser ético para você. Isto depende
da ótica". Eu digo que a ética
está acima da ótica! Independentemente
da cultura organizacional, alguns valores
e princípios são básicos
e podem ser alinhados. Respeito, valorização
ao próximo, honestidade, credibilidade,
entre outros, podem atender a culturas diferentes,
sem prejudicar nenhuma delas.
Rodrigo Corrá - O que diferencia a
responsabilidade social
no Brasil do mesmo conceito em países
do primeiro mundo?
Rosana Aparecida Calobrisi - Os projetos
ou os investimentos em ações
de responsabilidade social variam de acordo
com a diferença de cultura de cada
país, com os problemas sociais
e ambientais que cada um deles enfrenta. Cabe
a cada país trabalhar sempre pela conscientização
de seu povo, pelo bem comum dos povos e do
meio ambiente como um todo, afinal todos vivemos
no mesmo planeta. E é da saúde
dele que todas as nações dependem
para sobreviver.
Rodrigo Corrá - É mais fácil
para uma pessoa pobre ou para uma pessoa rica
ter ética e responsabilidade social?
Rosana Aparecida Calobrisi - Uma
postura ética e de responsabilidade
social não está ligada a classes
sociais, mas sim a educação,
formação e consciência
ética que determinado indivíduo
possui. Enfatizo a importância da educação
para que
a população possa ter acesso
à formação de conceitos
e de uma conduta ética.
Ana Maria Moura - Seria a responsabilidade
social uma realidade no Brasil?
Maria Lúcia Baltazar -
Infelizmente, ainda são poucas as empresas
que acordaram para esta necessidade. No Brasil,
a responsabilidade social ainda é encarada
como uma tarefa que cabe às empresas
de médio e grande porte. Já
evoluímos muito. Temos diversos projetos
sociais de empresas nacionais, que são
exemplo para multinacionais e aplicação
em outros países. Porém, não
podemos nos esquecer da importância
das micro e pequenas empresas para a geração
do nosso PIB. O que falta a elas para trabalharem
com ética e responsabilidade social,
dinheiro? Não. Consciência e
boa vontade. Quando souberem do benefício
que estas ações trazem para
a sua empresa, certamente, engrossarão
a estatística das empresas socialmente
responsáveis no Brasil.
Dica de leitura
www.ethos.org.br
Responsabilidade Social das Empresas / Prêmio
Ethos Valor / Editora Fundação
Petrópolis
Ética e Responsabilidade Social nos
Negócios – coordenação
Patricia Almeida Ashley – editora Saraiva
- 2005
Ética nas Organizações
– autora Elizete Passos – editora
Atlas – 2004 |
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Julho/Agosto 2006 - Edição
08 |
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Por
José Milani
Professor de Gestão de Projetos, Fundamentos
de Hardware e Tomada
de Decisão, na Unidade Campinas, fala
sobre a
evolução do processo de votação
com a adoção
da tecnologia das urnas eletrônicas. |
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