A importância da inovação na votação eletrônica

José Milani
  Cenário

· Antigamente:

- Voto de “cabresto” – o candidato conseguia saber quem
votou nele;
- Tempo de até um mês para resultado da eleição;
- Anulação de voto por rasuras na cédula;

· Após 1996 – com o uso da urna eletrônica:

- Voto secreto;
- Apuração em uma hora após a eleição;
- Voto nulo por opção confirmada.

O voto secreto e o voto para mulheres foram estabelecidos somente em 1932, o que causou um aumento significativo na quantidade de eleitores. Em 1945, os eleitores eram 7.437.025, apenas 16% da população. Atualmente, estão cadastrados 124.580.292 eleitores, aproximadamente 67% da população. Na verdade o voto no Brasil é obrigatório. Trinta e três países no mundo tem o voto obrigatório.

O Tribunal Superior Eleitoral criou um grupo de consultores
de instituições do governo das mais variadas disciplinas: CTA, INPE, CEPESC, Telebrás, Marinha, Aeronáutica, Exército e Poder Judiciário, para definir uma tecnologia que permitisse a lisura
do processo, já que os problemas encontrados eram os mais variados, desde o viajante constante que obtinha vários títulos de eleitor, até o medo que os eleitores tinham de seus candidatos, que mandavam que fizessem marcas nas cédulas.

Com cadastros gigantescos como esses, era praticamente impossível garantir o controle do cadastro dos eleitores sem
a informatização, que acabou chegando por iniciativas dos Tribunais Regionais Eleitorais. Como todo sistema a ser implementado, a base de dados – cadastro dos eleitores –
teve que ser refeita em 1986.

A fundação Carter Center, do ex-presidente americano James Carter, que já monitorou eleições em mais de trinta países, convida sempre a Justiça Eleitoral brasileira para apresentação do sistema eleitoral [1], levando em conta a prática e a inserção do uso dessa tecnologia no sistema político, além do alcance técnico da urna eletrônica.

Nos Estados Unidos, o tema é abordado nas varias disciplinas, desde a motivação da população, o comportamento durante
a eleição, além da expectativa e desconfiança das fraudes eletrônicas. No Brasil, a preocupação está dissimulada entre
os processos do Tribunal Superior Eleitoral, como Interface
de usuário, uso de teclado somente com númerosetc.

O Brasil já emprestou as urnas eletrônicas para países como Argentina, Paraguai e México[2].

A inovação da urna foi tão grande que, em função da falta
de infra-estrutura nos locais
de votação, foram exigidas características que ainda hoje são especiais, como por exemplo,
funcionamento baseado tanto em energia elétrica, quanto ligada a uma bateria de carro usual, gabinete único para facilidade de armazenamento, memória não-volátil, entre outras.

E, curiosamente, as várias empresas participantes criaram muitas soluções, tanto de equipamentos portáteis como na funcionalidade.

Na verdade, a polêmica toda ao redor da urna em si e a desconfiança de que um programa de computador pode conter um comando que altere sempre a quantidade de votos de um determinado candidato, não reflete toda a complexidade que envolve uma eleição.

A infra-estrutura e a logística são tão fantasticamente
grandes que uma eleição pode ser comparada a uma
operação de guerra. São tantas pessoas, com necessidades tão elementares de manutenção e atualização de estoque
de peças como uma etiqueta ou um pezinho de borracha do gabinete da urna, que representaria e, na verdade, representa, um grande case de logística. Quanto à rede local de computadores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), podemos dizer que também é grande case de segurança. Um único
ponto de acesso (com grande redundância) e um contrato
com Qualidade de Serviço garantida (QoS), conectam o ambiente de rede do TSE e TREs ao mundo.


A evolução do ambiente
de processamento da urna eletrônica foi reflexo do mercado, sendo originalmente baseado em um sistema operacional proprietário - VirtuOS da Microbase - e a partir do modelo 2004 com
o WindowsCE da Microsoft.
As atualizações de hardware ocorreram com a substituição do processador, com o uso
de memórias do tipo flash, unidades de CD.
 
     
 
   
  Julho/Agosto 2006 - Edição 08
   
 
 
   
  Por José Milani
Professor de Gestão de Projetos, Fundamentos
de Hardware e Tomada
de Decisão, na Unidade Campinas, fala sobre a
evolução do processo de votação com a adoção
da tecnologia das urnas eletrônicas.
   
 
 
   
 
 
     
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