| |
TV Digital
no Brasil |
| |
 |
|
A professora Claudia Tambascia, de
Gestão de Projetos em SI, da
Unidade Campinas, é a entrevistada
dos alunos Andréia Godoy Souza
e Geraldo Alves Barbosa, do quarto
módulo
de Sistemas de Informação.
O tema da entrevista é a polêmica
da implementação
|
da TV Digital no Brasil e quais serão
os benefícios para a população,
com base na experiência da professora,
que faz parte do grupo de estudos do CPQD
(Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações),
que orientou o Ministério das Telecomunicações
a respeito do assunto.
Andréia e Geraldo - Hoje existem
alguns padrões de TV digital, como
ATSC (Advanced Television System Comitee),
DVB-T (Digital Video Broadcasting), ISDB-T
(Integrated Service Digital Bodcasting), mas
o Brasil optou por desenvolver seu próprio
padrão, o SBTVD (Sistema Brasileiro
de Televisão Digital). Qual sua opinião
sobre esse padrão brasileiro?
Claudia Tambascia - O padrão
brasileiro tem seu diferencial por ser mais
moderno, robusto e dar mais importância
à interatividade. Com isso, ele se
diferenciaria do americano, que tem seu foco
na alta definição; do europeu,
que destaca a mobilidade; e do japonês,
que destaca a multiprogramação.
Além disso, a idéia do padrão
brasileiro era poder privilegiar a produção
nacional, com o desenvolvimento, por exemplo,
do middleware, melhorando a capacitação
de nossos profissionais. Assim, desenvolveríamos
uma tecnologia voltada para nossa realidade,
compatível com os outros três
padrões e possibilitando uma redução
no pagamento de royalties.
Andréia e Geraldo - Por que
surgiu a polêmica da TV Digital somente
agora, já que o assunto tem sido discutido
há alguns anos?
Claudia Tambascia - A discussão
sobre a TV Digital já é debatida
há mais de dez anos. Desde o segundo
governo de Fernando Henrique Cardoso, quando
a definição estava com a Anatel,
já tinham sido feitos testes de campo
com os três padrões. Com isso,
em 2002 houve um novo esforço para
uma definição, mas com a chegada
de uma nova gestão, o presidente optou
por deixar para o governo seguinte decidir.
Com a entrada do novo presidente, a definição
saiu do âmbito da Anatel e passou a
ter dois comitês, apoiado por um decreto
que instituiu o Sistema Brasileiro de TV Digital
(SBTVD), alvo atual das discussões.
Além disso, houve uma pressão
grande das emissoras, que começaram
a se sentir desatualizadas. Portanto, agora
é o momento da decisão.
Andréia e Geraldo - Qual é
o diferencial da TV Digital e no que ela vai
incrementar o conhecimento e educação
no Brasil?
Claudia Tambascia - O principal
diferencial da TV Digital está relacionado
à interatividade e à possibilidade
de integração entre rede de
dados e radiodifusão. Permitirá
ainda a interação do usuário
com as emissoras, que irão produzir
e transmitir mais programas, possibilitando
incrementar o conhecimento e educação
no Brasil, servindo para diminuir a desigualdade
social por meio do ensino disponibilizado
na televisão. Além disso, educadores
poderão ter acesso a informações
complementares, como textos, artigos e materiais
didáticos diversos, melhorando sua
capacitação profissional e incrementando
o processo educacional.
Andréia e Geraldo - Qual seria
o modelo mais interessante para o Brasil?
Claudia Tambascia - Seria um modelo
que privilegiasse
a multiprogramação e interatividade,
que fornecesse um dispositivo de acesso de
baixo custo, favorecendo a inclusão
social e que fosse democrático com
relação à informação
disponibilizada. Todos os padrões têm
vantagens e deficiências, portanto é
necessária uma análise criteriosa
sobre aspectos técnicos e de mercado,
para garantir o melhor atendimento à
população e vantagens para o
desenvolvimento do País.
Andréia e Geraldo - Quais
são os outros países que utilizam
a TV Digital e qual foi a melhora nas telecomunicações
observadas após a sua implementação?
Claudia Tambascia - Os Estados
Unidos, Canadá e Coréia
do Sul, utilizando o padrão americano
(ATSL), tiveram uma melhora significativa
na qualidade de imagens. A União Européia,
Polônia, Rússia, Turquia, Austrália,
Singapura, Índia, Nova Zelândia
e Ucrânia utilizando o padrão
europeu (DVB), tiveram uma melhora na oferta
de conteúdo. O Japão com seu
próprio padrão ISDB, conseguiu
uma melhora também da qualidade de
imagem.
Andréia e Geraldo - Quanto
tempo será necessário para a
implementação do sistema no
Brasil?
Claudia Tambascia - Do ponto
de vista de implementação
do sistema no Brasil, após a decisão
sobre o padrão a ser adotado, é
previsto em torno de cinco a seis anos. Agora,
para a adoção pela população
em sua totalidade, a previsão é
de cerca de 15 anos, já que esta etapa
é mais complexa do que a implementação.
Dica de leitura
www.mc.gov.br
|
|