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Embora
o estudante deva ser preparado para o mercado
de trabalho, a educação não
se limita apenas a ser vista como produto
de Marketing (atividade humana dirigida
para a satisfação das necessidades
e desejos, através de processos de
troca4). Ela também
se realiza por meio de troca, mas aquela em
que o professor acumula mais informações
do que o estudante, que busca o produto: conhecimento.
Pressupõe-se que o educando, por influência
da família e da sociedade, procure
a universidade, por necessidade e desejo de
conhecimento, para integrar-se melhor ao mundo
atual.
Mas convém verificar se o produto do
conhecimento está de acordo com a concepção
do autor: Um produto, na realidade, nada
mais é do que um instrumento para resolver
um problema.5 Acrescenta
ao conceito - que ele inclui pessoas, lugares,
organizações e idéias
-; a finalidade do produto: satisfazer a uma
necessidade ou a um desejo.
Até então, o conhecimento pode
ser visto como produto, pois satisfaz necessidades
e/ou desejos por meio de troca, com envolvimento
de partes interessadas, que reconhecem valor
mútuo e são capazes de comunicação
e livres para aceitarem ou rejeitarem a oferta.
Porém, o conceito de mercado precisa
ser explicitado; Um mercado é uma
arena para trocas potenciais6
- que dependem da oferta e da procura, ou
seja, da adequação do preço
ao produto oferecido, para que ele seja vendido.
Assim, o mercado dimensiona o valor do produto
oferecido pelo professor, mas a educação
não diz respeito apenas a trocas potenciais,
que devam acontecer de modo imediato, ou,
em curto prazo, para satisfazer o mercado.
Ela possui a dimensão da memória,
que se constrói na história,
cujo conhecimento torna o estudante consciente
da possibilidade de usar as experiências
do passado para tomar decisões em relação
ao presente e ao futuro. Se a globalização
aglutina em torno de si o mercado e exclui
de sua abrangência, grandes contingentes
populacionais que vivem abaixo da linha de
pobreza, precisa ser colocada em questão.
A educação, embora se volte
para o mercado de trabalho, é o lugar
de exercício da reflexão e da
crítica: ela é o espaço
da consciência.
O estudante não é cliente, para
quem o mercado, por meio da publicidade, cria
a necessidade ou desejo do produto, ao usar
a sedução – “a transformação
da sede numa vontade de tomar Coca-Cola”
– a esta altura tornou-se uma verdade
irrefutável.” (Schumann e Martin)7
. Necessidades e desejos criados pelo mercado
da sedução não correspondem
às verdades conhecidas por meio da
educação direta, que nem sempre
satisfazem os desejos (mas são verdades).
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Março / Abril 2006 - Edição
06 |
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Por
Dulce Adorno
Professora de Comunicação
e Expressão da Faculdade IBTA, unidade
Campinas,
a partir da globalização e seus
diversos avanços, discorre sobre o
objetivo
da educação e a nova
ordem das universidades brasileiras. |
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