Marcelo e Guilherme - Como está a qualidade dos processos relacionados a desenvolvimento de software no Brasil? Quais desafios ainda devem ser superados neste segmento do mercado?
Eduardo Voigt - Sob o prisma de uma pequena empresa (até 50 funcionários) o processo de desenvolvimento de software ainda está muito imaturo. Isso ainda é muito artesanal, sem o formalismo de um processo repetitivo, como em uma área de engenharia. Isso é natural no mercado brasileiro, visto que estas pequenas precisam sobreviver: a falta de tempo e recursos dificultam a criação, manutenção e vendas de um produto, e ao mesmo tempo precisam operar em um modelo formal de desenvolvimento. No entanto, uma vez que a empresa consegue se estabilizar, é necessária a busca pela otimização dos processos internos. Fica muito difícil trabalhar em uma equipe com vários programadores sem uma metodologia mais formal e com documentação inadequada. Neste sentido, são louváveis iniciativas como a da Faculdade IBTA na criação de um curso de pós-graduação em gerenciamento de projetos com ênfase na metodologia do PMI.
Marcelo e Guilherme - Como os cursos de Tecnologia são mais curtos e no Brasil ainda parecem novidade para muitos, o senhor acha que há algum preconceito por parte das empresas para contratação de tecnólogos recém-formados?
Eduardo Voigt - Não acredito que ainda possa haver, ainda mais na área de TI, tão carente de profissionais com nível superior. Repito o que disse anteriormente, o mercado precisa de pessoal qualificado e com capacidade de aprendizado. O curso de tecnólogo, como é o caso da Faculdade IBTA, prepara os alunos para este objetivo. Uma vez inseridos no mercado, a experiência profissional, aliada a um curso de pós-graduação, abre novas portas, seja para o tecnólogo, bacharel ou engenheiro. Lembre-se, tudo começa com sua atitude durante a faculdade!

* Eduardo Voigt
Mestre em Ciência de Computação pela Unicamp, graduado como tecnólogo em Processamento de Dados pela Universidade Federal do Paraná, atua como professor em Linguagem de Programação pelo IBTA e é sócio-diretor da empresa Prima Informática, localizada em São José dos Campos. Como cientista, atuou durante dez anos no Instituto de Estudos Avançados, no Centro Tecnológico Aeroespacial, na pesquisa de ambientes computacionais em processamento de alto desempenho, em especial no projeto de compiladores que fazem uso de processamento paralelo.
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