Muito tem se falado sobre as dificuldades logísticas para exportação de nossos produtos, no entanto, no meu entender a questão deveria ser:
Como as aplicações dos conceitos logísticos poderiam dinamizar nossas exportações e tornar nossos custos logísticos compatíveis com países do primeiro mundo?
Será que já temos um entendimento do que são esses tais conceitos logísticos? Ou ainda estamos entendendo que se trata apenas de uma estrutura extremamente arcaica de transportes?
Desde que aqui aportaram as primeiras caravelas (grandes navegações), começamos a nos relacionar com mercado internacional, mesmo que tenha sido por muitos anos de forma exploratória, e como tudo que é dessa forma se faz de qualquer jeito. É bem provável que foi a partir daí que veio nosso aprendizado de que o “jeitinho brasileiro” é melhor, temos mais flexibilidade, não somos “engessados”.
Conceitos logísticos contrapõem o “jeitinho brasileiro”, pois se tratam de processos formais de planejamento, controle de movimentações físicas feitas de forma eficiente, com modais de transportes adequados, com informações “on line” (em tempo real) e sobretudo, tendo seriedade na prestação de serviços aos clientes.
Falando de logística aqui no Brasil não há mais que 25 anos. Se trata de algo ainda muito novo, nossos alicerces para consolidação dos conceitos logísticos são muito frágeis, não apresentam condições mínimas de sustentação, como podemos ver a seguir:
Ausência de política que sincronize as ações dos governos (federal, estaduais e municipais) e da iniciativa privada;
Infra-estrutura de armazéns inadequada;
Não há equilíbrio na disponibilidade dos modais de transportes;
A maior parte de nossa produção destinada à exportação é transportada até o porto de embarque por meio de caminhões;
60% do total da carga transportada no Brasil é feita pelo modal rodoviário e apenas 23% pelo modal ferroviário;
As estradas estão em péssimas condições de utilização, com exceção das do interior do estado de São Paulo;
A idade média da frota brasileira de caminhões gira em torno de 17 anos. Frota muito antiga e inoperante, chegando a faltar caminhões na época da safra;
Nas poucas ferrovias a velocidade é muito baixa (em torno de 25 km por hora), em razão da falta de investimentos em composições ferroviárias, trilhos e pelo tráfego em áreas urbanas;
Baixa capacidade operacional dos portos. Necessidade de manutenção e dragagem;
Pouca utilização do transporte hidroviário, mesmo com a nossa riqueza hidrográfica;
Poucos profissionais com competência para fazer a gestão de logística nas empresas;
Baixo investimento de tecnologia de informações para viabilizar sistemas dinâmicos de relacionamentos entre fornecedores, prestadores de serviços logísticos e clientes;
Ao longo dos últimos 50 anos nossos governos pouco deram atenção para as questões de infra-estruturas em nosso País, ou melhor, talvez não conseguissem ter uma visão futurista de crescimento demográfico interno e da internacionalização de economia mundial, onde há uma maior dependência dos recursos internacionais. Diante disso, hoje nos deparamos com muitos problemas estruturais sérios e que demandam altos investimentos e disposição política, tais como:
Dinamização da infra-estrutura portuária;
Redesenho e reestruturação de nossa malha ferroviária;
Adequação de nossas estradas (apenas 10% delas são asfaltadas);
Maior velocidade na renovação da frota de caminhões;
Desburocratização dos processos governamentais de documentação para movimentações internacionais, por meio de incremento de processos informatizados e não baseados em papéis;
Fazer uma reforma tributária para que haja maior incentivo para aplicação de conceitos logísticos com custos mais enxutos, evitando com isso movimentações desnecessárias de cargas em busca de “incentivos fiscais”;
Temos visto excelentes iniciativas, principalmente de empresas privadas em investimentos em infra-estrutura, exemplo de empresas produtoras de bens de consumo investindo em equipamentos de transportes para facilitar o escoamento da produção de por parte de seus prestadores de serviço.
Não podemos nos esquecer que o Brasil é um país que carece muito de educação e que a grande maioria de nossa população nem se quer entende o que lê, conforme mostrado em recente pesquisa divulgada pelos órgãos da imprensa. Investimento em educação e em logística, quem deve fazer?
A resposta é simples: Todos nós (governo, empresários, educadores e profissionais e os futuros profissionais).