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entrevista com o mestre
Sérgio Antônio e Anderson Clayton - Recentemente, um livro foi lançado com base na opinião de diversos pesquisadores tentando prever como estará o mundo em 2015. Na sua opinião, quais são os avanços tecnológicos que a humanidade poderá alcançar nos próximos dez anos, graças à inteligência artificial?
José Demísio - Certamente vários avanços tecnológicos serão alcançados até o ano 2015, em todas as áreas do conhecimento. Muitos trarão resultados diretos para melhoria da qualidade de vida do ser humano. Por outro lado, existe uma demanda crescente pelo uso de recursos computacionais para conceber as tecnologias novas. O poder computacional de hoje já permite a realização de um número de operações por minuto impensado há dez anos. Os avanços tecnológicos certamente produzirão máquinas muito mais potentes nas próximas décadas, podendo haver uma mudança de paradigma computacional com o desenvolvimento da nanotecnologia. O aumento do poder computacional permitirá que os sistemas inteligentes sejam cada vez mais considerados como bases para as soluções, pois as restrições de tempo de processamento, capacidade de armazenamento e manipulação da informação serão reduzidas. Assim, vejo a IA com um papel fundamental nas pesquisas, desenvolvimentos de novas descobertas tecnológicas em diversas áreas do conhecimento.
Sérgio Antônio e Anderson Clayton - Além de professor do IBTA, o senhor é pesquisador do INPE. Quais os principais projetos em que o senhor está envolvido atualmente?
José Demísio - A área de inteligência artificial no INPE desenvolve técnicas e modelos para conceber sistemas que agregam valor às aplicações desenvolvidas na área espacial. Como pesquisador, estou envolvido com o desenvolvimento da IA teórica e prática e com a disseminação por meio de cursos no programa de pós-graduação em computação aplicada do INPE. Os projetos envolvem outras divisões do INPE e são realizados no escopo de orientações de iniciação científica (atualmente tenho um aluno do IBTA), mestrado e doutorado. Os temas principais relacionam-se com data mining em meteorologia para previsão climática; classificação de imagens de satélite de sensoriamento remoto; qualidade de sistemas de software; detecção de intrusão em redes; navegação robótica autônoma por imagens; planejamento automático para controle de satélites; balanceamento de sistemas distribuídos; aprendizagem robótica autônoma; modelos de ferramentas inteligentes para educação mediada por computador, etc.
Sérgio Antônio e Anderson Clayton - Como o senhor aproveita a experiência adquirida com suas pesquisas e projetos científicos no ensino a seus alunos de graduação?
José Demísio - O conhecimento de graduação pode ser generalista ou focado. O primeiro fornece uma visão ampla das áreas de conhecimento. O focado, praticado atualmente nos cursos de graduação do IBTA, são voltados para a aplicação imediata. Minhas experiências de pesquisador e em projetos científicos são abordadas de maneiras distintas para um ou outro. O foco tecnológico deve mostrar eficiência dos métodos na resolução de problemas. O de ciência deve mostrar as possibilidades científicas que existem. Mas, considero que todos os alunos precisam se preparar para as futuras tecnologias que existirão, assim procuro falar de minhas experiências para gerar e estimular a curiosidade pela IA e pesquisa. Hoje ainda não se fala em cursos como Análise de Sistemas Inteligentes, mas certamente poderá acontecer no futuro. Nos meus 15 anos de ensino em graduação tenho visto estas práticas estimularem muitos ex-alunos a buscarem os cursos de pós-graduação nos níveis de latu sensu e strictu sensu para o aperfeiçoamento acadêmico e/ou tecnológico.
Sérgio Antônio e Anderson Clayton - Quais dicas e caminhos o senhor indicaria para aqueles alunos que se interessarem sobre esses temas e quiserem se aprofundar mais?
José Demísio - A iniciação em qualquer ciência ou área de estudos começa pelo levantamento bibliográfico. Há vários livros em língua portuguesa que trazem as principais técnicas de IA e exemplos de aplicação. Para iniciar, recomendo Inteligência Artificial, de S. RUSSELL e P. NORVIG, da Editora Campus, de 2004, traduzido para a língua portuguesa; Inteligência Artificial, Ferramentas e Teorias, de G. Bittencourt, da Editora da UFSC, de 1998, de autor brasileiro; entre outros. Para as redes neurais, recomendo Redes Neurais Artificiais, de A. P. Braga, T. B. Lurdermir, A. P. L. F. Cavalho, da editora LTC, de 2000; Redes Neurais com aplicações em Controle e em Sistemas Especialistas, de F. M. de Azevedo, L. M. Brasil e R. C. L. de Oliveira, da Ed. Visual Books, de 2000 e Redes Neurais Artificiais, de S. Haykin, da Editora Campus, de 2000. Recomendo também leituras na internet utilizando palavras-chave "inteligência artificial", "artificial intelligence", "redes neurais" ou "neural networks" (www.google.com). Para software recomendo os simuladores de técnicas de IA e redes neurais. O "shell" para o desenvolvimento de sistemas especialistas baseados em regras de produção, da Universidade Federal do Ceará (Expert Sintra). e o simulador SNNS - Sttutgart Neural Network Simulator, da Universidade de Stuttgart. Com os materiais bibliográficos em mãos, resta mergulhar nos estudos e na pesquisa.

Dicas de Leitura
http://www.inpe.br/
RUSSEL, Stuart e NORVIG, Peter, “Inteligência Artificial”, Editora Campus, 2004.
BITTENCOURT, Guilherme, “Inteligência Artificial: Ferramentas e Teorias”, Editora UFSC, 1998;
BRAGA, A. P.,LURDERMIR, T.B., CARVALHO, A. P. L. F., “Redes Neurais Artificiais”, Editora LTC, 2000.
AZEVEDO, Fernando Mendes de, BRASIL, Lourdes Mattos, OLIVEIRA,Roberto Célio Limão, “Redes Neurais com aplicações em Controle e em Sistemas Especialistas”, Editora Visual Books, 2000
HAYKIN, Simon, “Redes Neurais Artificiais”, Editora Campus, 2000
* José Demísio
Doutor em Computação Aplicada e Mestre em Engenharia Elétrica, professor titular do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, nas áreas de Neurocomputação, Inteligência Artificial, Fundamentos da Teoria de Conjuntos Nebulosos e Teoria de Possibilidades. Ainda atua no mesmo instituto como membro de conselho de unidade, coordenador de curso, líder de grupo de pesquisa, líder de grupo de pesquisa em Redes Neurais (GPESQ) e pesquisador nas áreas de Redes Neurais, Raciocínio Inexato, Inteligência Artificial Híbrida e Visão Computacional.
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