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Evolução anunciada nos sistemas de telecomunicações
A área de telecomunicações é um dos campos onde as novidades são percebidas de forma muito rápida e trazem grandes transformações, tanto no âmbito da economia como no das questões comportamentais. Nos últimos 10 anos, o brasileiro acompanhou grandes mudanças, com a expansão do sistema de telefonia fixa, popularização dos aparelhos celulares e facilidade de acesso à Internet, que deixou de ser uma ferramenta acadêmica e chegou às mãos do cidadão comum. O que podemos esperar na próxima década é o tema de que tratamos em mais uma seção "Muito Além" do IBTA News.

Marcos Siqueira, professor da disciplina de Segurança de Redes, do curso Tecnologia em Redes de Computadores, da unidade Campinas da Faculdade IBTA, fala aos leitores sobre a sua participação na última edição da Conferência MPLS, em outubro de 2004, quando estiveram reunidos os principais fabricantes de equipamentos de rede e operadoras de telecomunicações mundiais, além dos "papas" do IETF (Internet Engineering Task Force), participantes dos grupos de trabalho relacionados à padronização da tecnologia MPLS (Multiprotocol Label Switching) e tecnologias relacionadas.
Futuro das operadoras de telecomunicações - Do ponto de vista das operadoras de telecomunicações, a preocupação imediata é criar a possibilidade de oferecer múltiplos serviços aos clientes por meio de uma infra-estrutura de rede convergente, permitindo redução de custos com agregação de valor aos serviços. A tendência é a convergência da rede sobre uma infra-estrutura IP/MPLS, o que possibilita que estas ofereçam diversos serviços, como VPNs (Virtual Private Networks) de camadas 2 e 3, acesso à Internet e Voz sobre IP (VoIP), entre outros.
Tecnologia versus Perda de receita - Há uma tendência forte para o uso de VoIP e massificação do uso dessa tecnologia. Redes de telefonia possuem alto grau de qualidade e confiabilidade que não podem ser alcançados por redes IP convencionais. Porém, o uso do MPLS nos backbones IP transforma-os em redes com capacidade de garantia de QoS (Qualidade de Serviço), além de permitir o aumento da confiabilidade das redes IP, com a utilização, por exemplo, de mecanismos como o MPLS FRR (MPLS Fast Reroute), que garantem recuperação de falhas na rede em menos de 50 milissegundos (equivalente a redes SDH, usadas nas redes de telefonia). A perda ou ganho de receita vai depender da estratégia das próprias operadoras e da reação do mercado, já que elas oferecem serviços de telefonia, mas ao mesmo tempo oferecem serviços de conexão à Internet.
Um exemplo do Japão - Uma visão a médio/longo prazo, que já é realidade na NTT(Nippon Telegraph and Telephone Corporation) do Japão, é a implantação de redes ASON (Automatically Switched Optical Networks). No Japão, quase todas as residências possuem acesso "banda larga", e devido à grande competição, os preços são reduzidos. Portanto, os Service Providers têm uma quantidade gigantesca de tráfego, com baixo ganho financeiro por bit transportado. Diante desse cenário, uma das soluções seria criar uma rede óptica de alta capacidade, que permitisse dinamismo e rapidez na ativação de novos serviços e na reorganização da rede, de acordo com a demanda. A opção escolhida foi uma rede com tecnologia DWDM (Dense Wavelength Division Multiplexing), que permite o aumento expressivo da capacidade de cada fibra óptica através da multiplexação de vários comprimentos de onda (lambdas).
O Brasil no cenário mundial - As operadoras de telecomunicações brasileiras possuem redes quase equivalentes, do ponto de vista tecnológico, às internacionais. Praticamente todas as operadoras já estão com MPLS em produção e oferecem serviços VPN MPLS de camada 3; algumas já estão estabelecendo redes NGN (Next Generation Networks), o que deverá permitir que ofereçam serviços de telefonia IP. Também já existem redes metropolitanas baseadas em tecnologias Ethernet; porém, ainda não se fala sobre o estabelecimento de redes ASON. Esse tipo de iniciativa está presente somente em projetos de pesquisa como a "Rede Giga", que interliga Universidades e institutos de pesquisa na esfera Rio-São Paulo-Campinas, por meio de uma rede WDM - Wavelength Division Multiplexing/Gigabit Ethernet.

Já do ponto de vista de desenvolvimento de tecnologias de redes, ainda estamos engatinhando. Há iniciativas pontuais no desenvolvimento de equipamentos NGN e WDM, entre outros, porém, continuamos importando roteadores e comutadores. Temos empresas altamente capacitadas em desenvolvimento de software, em nível internacional; porém somos deficientes do ponto de vista de hardware. Para contornar essa situação, seria necessária uma grande iniciativa por parte dos governos, com o objetivo de criar um "Vale do Silício" brasileiro.
Para saber mais:
  • MPLS 2004 International Conference, 7th Annual International Conference - http://www.isocore.com/mpls2004/
  • Os padrões MPLS (Multiprotocol Label Switching), GMPLS (Generalized MPLS) e VPNs (de camadas 2 e 3) podem ser encontrados em http://www.mplsrc.com/standards.shtml
  • Nippon Telegraph and Telephone Corporation - http://www.ntt.co.jp/index_e.html
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