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entrevista
Como podemos avaliar o setor de logística nas cidades de São Paulo, São José dos Campos e Campinas?
Essas três regiões estão em franco desenvolvimento; podemos defini-las como a nata da logística no Brasil. A cidade de São Paulo tem a primeira economia do País e concentra boa parte da produção industrial, com excelente mercado consumidor. Campinas está próxima a centros de produção importantes, possui fácil acesso ao triângulo mineiro e conta com o primeiro aeroporto internacional para movimentação de cargas do Brasil, o Viracopos. Já a região de São José dos Campos, assim como a região de Campinas, é pólo concentrador de empresas de tecnologia, como a Embraer, com rápido acesso ao Rio de Janeiro pela Rodovia Presidente Dutra.
Investir na criação ou consolidação do departamento de logística pode ocasionar redução, ainda que a médio prazo, nos custos do produto final?
O custo logístico no Brasil é muito alto; falta eficiência em todas as fases do processo, e isso faz com que o peso sobre o produto final seja da ordem de 16 a 18%. Nos Estados Unidos, por exemplo, esse custo gira em torno de 9 a 10%. A discrepância é grande e tem relação direta com a falha na infra-estrutura de nosso País.
Os profissionais da área de logística são cobrados para que reduzam os custos logísticos no produto final, suas ações estão diretamente relacionadas com toda a cadeia de produção e são responsáveis pela integração dos processos logísticos entre as organizações. Como o problema é muito grande, políticas eficientes ocasionam redução nesses custos a curto prazo; e a médio prazo, a redução será mais perceptível.
Toda empresa que trabalha com movimentação de produtos adota conceitos de logística e busca otimizar todas as etapas de produção e comercialização de suas mercadorias. Mesmo empresas prestadoras de serviços, como hospitais e agências bancárias, precisam dimensionar o tempo de atendimento, controlar o fluxo de pessoas, entrada e saída de suprimentos, etc.
Muitas empresas estão transferindo as instalações fabris de São Paulo para outras cidades ou Estados. Essa mudança exige maior planejamento no que diz respeito à área de logística?
A guerra fiscal faz com que muitas empresas troquem uma cidade por outra, ou mesmo um estado por outro, sem considerar todos os custos envolvidos. O processo logístico é, muitas vezes, deixado em segundo plano, porque as vantagens obtidas, como menor carga tributária, superam o aumento de custos em algumas fases da cadeia de suprimentos. Como as empresas operam em ambiente de alta competitividade, faz-se necessário adaptar seus processos, afim de não perderem mercado e não verem onerado o custo do produto para o consumidor final; nesse ponto, o planejamento logístico se faz essencial.
No Brasil fala-se muito em perda de qualidade e mesmo do produto inteiro, durante as diversas fases de transporte e armazenamento, principalmente de produtos perecíveis, como frutas e verduras. Formar profissionais na área de logística é o caminho para mudar essa realidade?
A perda de produtos é muito grande, principalmente em alguns setores como o hortifrutigranjeiro, que chega a 35% da produção, embora os grandes produtores já trabalhem com outra realidade. No Brasil, ainda temos falhas no transporte, com veículos inadequados, embalagens que não suprem as necessidades de locomoção e preservação da qualidade e armazéns sem temperatura controlada. Além de investimento em infra-estrutura, faltam profissionais que conheçam bem os diferentes processos de plantio, colheita, transporte, armazenagem e distribuição, até chegar à mesa do consumidor; aí temos diversos setores carentes de pessoas com boa formação logística.
Outro fator que pressiona para mudar essa realidade é o aumento do nível de exigência do consumidor, cada vez mais atento aos prazos de validade e à qualidade das embalagens e produtos no ponto de venda. Já aprendemos a descartar um produto que não chega com qualidade à nossa mão.
Qual a expectativa do setor em relação às PPP´s (parcerias público-privadas)? Existem grupos interessados em investir em infra-estrutura com o objetivo de facilitar o escoamento da produção nacional, seja internamente ou para exportação?
Qualquer iniciativa é válida, e avalio as PPP´s como uma boa iniciativa. Mas como a infra-estrutura do País é ineficaz e ultrapassada, não podemos esperar que tais parcerias resolvam os problemas a curto prazo. Com o crescimento das exportações e a agricultura aumentando a produção a cada ano, a tendência é que haja investimento tanto do governo como da iniciativa privada, e o processo logístico tende a crescer e ser valorizado em todas as etapas de produção. O empresariado brasileiro está chegando ao consenso de que é preciso investir em conhecimento e pessoas, até mesmo para dimensionar a necessidade de novos investimentos e saber utilizar, de forma mais racional, a estrutura que já existe no País. Temos a Hidrovia Tietê-Paraná, por exemplo, que é subaproveitada por falta de conhecimento sobre o seu potencial.
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