

As redes dos sistemas de telecomunicações formam a estrutura básica das comunicações e informações e, com ela desativada, perde-se o meio de transmissão de notícias, decisões e informações. Sua ruptura deixa os responsáveis em todos os níveis de governo e da sociedade civil sem contato, e pode gerar, no seio da sociedade, uma incerteza com relação à situação em virtude dos boatos e dúvidas que passam a existir pela falta de informações.
As atuações sobre os sistemas de energia elétrica visam reduzir e dificultar a capacidade de recuperação de um ataque sobre os sistemas de telecomunicações e também trazer a insegurança pelas ocorrências de diversos blecautes. Os serviços prestados pelas redes de Saúde Pública, Emergência e sistemas de distribuição de Água Potável são essenciais para a população de modo geral. Quando estes serviços críticos ficam indisponíveis em virtude de um ataque cibernético, deixam a população sem os apoios que considera básicos, além de trazerem a desconfiança pela qualidade dos serviços de água, gerando insegurança e medo. Já sobre o sistema financeiro, principalmente sobre o banco central e as redes dos grandes bancos e corretoras, visa causar uma quebra na estrutura econômica do país, levando ao caos financeiro nacional, que poderá ter reflexos na solidez deste país na economia internacional.
Um ataque cibernético sobre as redes de governo e de comando central tem como objetivo reduzir ou tirar a capacidade de chefia e liderança tanto do governo como de seus principais centros de comandos militares. Esta ação vai reduzir drasticamente a capacidade de recuperação e respostas aos ataques cibernéticos. Estes são apenas os cinco alvos que consideramos mais críticos. Podemos e devemos, numa análise visando construir um Plano Nacional de Segurança das Informações, identificar outros sistemas que são críticos ao país e à população, tais como distribuição de combustíveis, aeroportuários, judiciário, sistemas dos programas assistenciais, etc.
Situação do Brasil
Atualmente no Brasil, não existe concretamente uma política de segurança das informações que se preocupe com este estado da arte que é a guerra cibernética. Não é um assunto apenas de governo e forças armadas, mas sim um projeto que envolve todos os setores da sociedade, pois todos são e estão dependentes da infra-estrutura das redes de computadores.
Em muitos países, esta preocupação já está inserida nas políticas de governo, em virtude das suas conseqüências prejudicarem toda a nação. Para a criação destas políticas de segurança, é preciso a criação de uma mentalidade de segurança em todos os níveis da sociedade civil. Até agora, o Brasil tomou poucas iniciativas de identificar quais seriam nossos serviços críticos, suas vulnerabilidades e as medidas que permitem a redução ou a eliminação dessas vulnerabilidades.
Entretanto não podemos deixar de reconhecer a importância de alguns passos que já foram dados. O primeiro foi a criação do Comitê Gestor da Segurança da Informação (CGSI) em 2000 e, a partir de um trabalho deste CGSI, houve a criação de diversos Grupos de Trabalho (GT) no decorrer de 2003, dentre os quais merecem destaque o Grupo de Trabalho do Centro de Emergência de Computação e o Grupo de Trabalho de Política Nacional de Telecomunicações.
Perspectivas futuras de guerra cibernética
À primeira vista, parece um estudo alarmante, mas não podemos deixar de acreditar que as armas para iniciar esta guerra estão nas mãos de cada usuário de computador. O uso de computador como uma ferramenta de ação criminosa já é um fato. E o uso como ferramenta também de ações de guerra é uma perspectiva que não pode deixar de ser analisada por nenhum país.
Nessa guerra cibernética, o hacker como ferramenta de combate passa a ocupar posição fundamental. Cabe aqui uma análise da importância da formação desse guerreiro cibernético, que vai ter a responsabilidade de infligir baixas sem causar diretamente as mortes tão comuns nos outros tipos de guerras.
Nesse tipo de conflito, a preocupação com a segurança das informações passa a ser essencial para fornecer capacidade de lutar, mas também para fornecer a capacidade de se preparar e reagir diante de um possível ataque. O estudo para o entendimento da segurança das informações a fim de capacitar para levantamento de vulnerabilidades e riscos dos diversos e variados sistemas de redes deve ser estendido aos nossos cursos de graduação a fim de permitir a formação da mentalidade de segurança da informação. Teremos que nos preocupar com a proteção dos nossos sistemas e também com a formação do material humano para o gerenciamento da segurança da informação sob todos os aspectos.



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