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Ter
o controle das informações
administrativas, para manter um plano
integrado é fundamental para
a definição das estratégias
dentro de uma empresa. São esses
dados reunidos pela equipe de controladoria
que determinará e norteará o
grupo de gestores para a tomada de
decisão. Por isso, dentro das
grandes corporações,
o controller e a controladoria
ganham cada vez mais espaço.
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Para explicar
melhor a importância
deste setor, bem como das funções
de um controller, convidamos o
professor Fabrício Pessato,
coordenador da graduação
em Gestão Financeira e da pós-graduação
em Controladoria e Finanças na unidade
Campinas, para conduzir uma entrevista
especial com Adriano Muzzi,
gerente administrativo financeiro da multinacional
Rexam do Brasil.
Fabrício Pessato:
Como evoluíram os sistemas de
controle e a Controladoria nas empresas?
Isso é recente?
Adriano Muzzi: Não,
não é recente! Na verdade,
a necessidade de controles mais rigorosos
foi levantada a primeira vez com mais ênfase
após o Crash da Bolsa
de Nova Iorque, em 1929. Na década
de 60, nos EUA, a função
de controller começou
a ganhar espaço entre os CEOs
(Chief Executive Officer). Nos anos 70
e 80, o mundo passou por sucessivos choques
econômicos – alta do petróleo
em 73 e 79, alta das taxas de juros internacionais,
etc. –, daí a necessidade
controles mais rigorosos. Desde então,
o papel do controller adquiriu
destaque crescente. E a Globalização
consagrou a Controladoria como um instrumento
permanente de gestão, de controle
das variáveis.
Fabrício Pessato:
Afinal, o que passa pelas “mãos” da
Controladoria de uma empresa?
Adriano Muzzi: Eu
diria que tudo. Hoje em dia, a Controladoria é um
setor que costuma estar imediatamente
abaixo da presidência das empresas,
sobrepondo-se às demais áreas.
Ou então, em um plano em paralelo
aos outros setores da empresa. O controller obtém
dados de todos os departamentos e, com
base neles, prepara relatórios
gerenciais e indicadores que sustentam
a tomada de decisão por parte
do alto staff – diretoria
ou presidência. Uma simples informação
equivocada pode comprometer todo um planejamento.
Por essa razão é que o controller depende
da legitimidade alcançada e, por
conseqüência, da precisão
das informações prestadas
por todos os setores da empresa.
Fabrício Pessato:
O controller necessariamente tem de ser
da área contábil?
Adriano Muzzi: Houve época
em que o controller vinha naturalmente
da área Contábil. Atualmente,
essa função tem sido ocupada
por um profissional generalista, como
administradores, economistas, engenheiros,
com conhecimento de diferentes áreas,
embora a base contábil seja ainda
fundamental.
Fabrício Pessato:
Qual o perfil do controller?
Adriano Muzzi: Pode-se
dizer que o controller se caracteriza
por ser um profissional de mente analítica,
versátil, com uma boa fundamentação
econômica, capacidade de liderança
e trabalho em equipe, habilidade de comunicação,
solução de problemas e,
principalmente, visão de processos
da empresa.
Fabrício Pessato:
E o meio acadêmico? Tem reconhecido
a relevância da função
do controller?
Adriano Muzzi: Sem
dúvida! Há excelentes cursos
de Pós-Graduação
e até de Mestrado que têm
enfatizado o controller e o
papel da Controladoria. A grade do curso
de Pós-Graduação
em Controladoria e Finanças do
IBTA é uma das mais completas
que já analisei.
Fabrício Pessato:
Auditoria é um item fundamental
em Controladoria?
Adriano
Muzzi: Cada
vez mais. Principalmente após
os escândalos financeiros do início
dos anos 2001, quando vieram à tona
as fraudes dos relatórios contábeis
de mega-empresas norte-americanas, como
Enron, Global Crossing, World Telecom,
Xerox, Adelphia etc. A lei SOX¹ (Sarbanes-Oxley,
de julho de 2002) aumentou a responsabilidade
pelas informações prestadas
pelos administradores e auditores nos
EUA, inclusive criminalmente. E é uma
tendência que o mundo inteiro se
adapte a essas regras e as use como parâmetro.
Daí a importância do conhecimento
das operações de auditoria
pelo controller.
Fabrício Pessato:
Que outros atributos o mercado espera
do profissional de Controladoria?
Adriano
Muzzi: O mercado
deseja profissionais especializados,
com visão de gestão, planejamento
gerencial, fiscal, financeiro e contabilidade.
Profissionais que tenham visão
de negócio, visão sistêmica,
que atuem e controlem todas as áreas
da organização. É sempre
importante lembrar que a empresa é um
conjunto organizado de recursos humanos,
econômicos e sociais, que interage
com o meio ambiente e é afetada
por fatores externos. Experiência
na condução de projetos
também é um diferencial.
Fabrício Pessato:
Como é o dia-a-dia da Controladoria?
Adriano Muzzi: Posso
dizer que algumas condições
são essenciais no cotidiano da
Controladoria. Em primeiro lugar, é fundamental
conhecer e estar alinhado com a missão
da empresa. O dia-a-dia do controller é de
relacionamento com as demais áreas,
cobrando e dando suporte a essas áreas.
A cobrança é para o gerenciamento
de resultados e das informações,
os mesmos fatos que caracterizam o suporte,
quase como uma “consultoria interna”.
Para isso fluir adequadamente, é primordial
uma adequada estruturação
do processo de planejamento, execução
e controle – o tripé de
uma administração de excelência.
E a matriz tecnológica de toda
essa macro-estrutura tem de ser assegurada
por um bom sistema de informações
gerenciais. Entra aí o uso cada
vez mais imprescindível do ERP² (Enterprise Resource Planning) da Intranet,
outros softwares para controle de projetos
(como o MS-Project), além obviamente
das planilhas eletrônicas.
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1 SOX -
Como ficou conhecida a lei Sarbanes-Oxley,
de julho de 2002, de autoria dos Senadores
Paul Sarbanes e Michael G. Oxley.
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2 ERP – Enterprise
Resource Planning ou SIGE – Sistemas
Integrados de Gestão Empresarial – são
sistemas de informações
constituídos para a integração
plena dos dados e processos de uma
organização em uma única
base e um único banco de dados.
Freqüentemente, os ERPs são
caracterizados por uma plataforma de
aplicativo computacional desenvolvida
com o objetivo de integrar as diversas áreas
da esfera intra-corporativa, possibilitando
a automação dos processos
com otimização plena
de recursos, bem como o armazenamento
das informações contábeis-financeiras
das operações internas
e externas da empresa.
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