Consultorias e profissionais de TI no Brasil –
uma evolução

  Por Paulo da Costa

 

Até a metade dos anos 90 mais ou menos, os profissionais de TI viviam uma situação em que a grande maioria estudava, se especializava e ia trabalhar nas grandes empresas como analistas, técnicos, programadores, enfim, profissionais de TI. Eram considerados os “grandes gênios” ou “o cérebro” da companhia.

Paulo da Costa, professor do curso de Administração de Redes, na unidade Campinas da Faculdade IBTA   A partir desta década, acentuou o surgimento de empresas de consultorias e prestadoras de serviços. As
grandes empresas que tinham parques tecnológicos, os chamados CPDs, começaram a enxergar estas empresas de consultorias como uma estratégia de redução de custos. Dessa forma, muitas transferiram as atividades que antes eram realizadas internamente para estas empresas de consultorias, seja para priorizar seu foco nos negócios, seja pela evolução e inovação das tecnologias que tornaram inviáveis a manutenção e sustentação dos CPDs.

Com isso, as empresas passaram a ser clientes e/ou usuários dos serviços prestados. De certa forma, tornou-se cômodo esse sistema para muitas empresas, pois os diversos contratos e termos assinados pelas prestadoras de serviço garantiam a qualidade, performance e os bons dos resultados.

Naturalmente, os contratos entre empresas compradoras e empresas prestadoras de serviços de tecnologia seguem padrões e normas rigorosas, principalmente quanto ao quesito confidencialidade da informação. Qualquer empresa prestadora de serviços de tecnologia que se preze, mantém como norma mínima básica de qualidade o sigilo da informação. Em um mundo onde as fórmulas e segredos de patentes são as fronteiras entre o abismo e a sobrevivência, qualquer descuido neste sentido pode ser fatal.

Por precaução ou garantia, muitas empresas mantêm informações estratégicas ou imprescindíveis ao bom funcionamento do seu negócio, não confiando a terceiros esta tarefa.

Com essa mudança estrutural, muitos profissionais de TI foram dispensados e não conseguiram ser absorvidos por outras empresas. Essa abundância de profissionais no mercado gerou desgaste na imagem das consultorias, sendo taxadas de “destruidoras de empregos”.

O fato é que para diminuir custos, as consultorias acabavam dando preferência para profissionais iniciantes, mantendo um número mínimo de profissionais qualificados. Hoje, pode-se dizer que este quadro mudou. Cada vez mais as empresa de consultoria têm procurado por profissionais com experiência. Aqueles que não desistiram, atualizaram-se e procuraram manter um padrão de conhecimento e qualidade; hoje são caçados e muito bem remunerados.

Outro importante detalhe é o conhecimento de idiomas, especialmente o espanhol e o inglês. Este último em especial é muito exigido entre as consultorias, que preferem contratar sem o conhecimento técnico, mas com o conhecimento do idioma. Muitas vezes é mais fácil ensinar o conhecimento técnico ao idioma. Isto se deve à globalização, que permite com que as consultorias tenham muitos clientes fora do Brasil.

O leque de demanda por mão-de-obra especializa e qualificada em tecnologia é tão grande que profissionais trocam de empregos cativos em empresas sólidas, pelas vantagens financeiras e desafiadoras das novas oportunidades que surgem em empresas de consultorias.

Como para tudo há concorrência, neste caso não seria diferente.
Países como Índia e China exportam mão-de-obra especializada para empresas norte-americanas e européias. Isso mostra que ainda é preciso investir bastante em melhorias e ampliação dos centros de treinamentos e pólos de tecnologias para conseguir um padrão mínimo para esta disputa e garantir crescimento.

Atualmente estamos perdendo alguns pontos nesta disputa, visto a grande desvalorização do dólar frente ao real, o que faz com que nossa mão-de-obra se torne cara com relação aos asiáticos. Desta forma, precisamos nos esforçar ainda mais para provarmos para nossos clientes que valemos este preço. E de que forma iremos demonstrar isto? Por meio de certificações, especializações, pós-graduações, aprendendo novos idiomas e investimentos no intelectual.

As certificações, selos de qualidade e reconhecimento nos mais diversos meios e mídias certificadoras de serviços de excelência têm se tornado meta da maioria das consultorias. Se externamente a concorrência é grande, internamente ela é gigantesca, como toda e qualquer atividade, por isso, acabam sendo recompensadas as melhores
e mais bem preparadas empresas.

Paulo da Costa é professor do curso de Administração de Redes, na unidade Campinas da Faculdade IBTA, e ministra a disciplina de Sistemas Operacionais de Rede – SOR.


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  Junho/Julho 08 - Edição 13
   
 
 
Conheça o processo
evolutivo das consultorias
de TI no Brasil e saiba que tipo de profissional o mercado está exigindo.

 
 
 
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