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Ter uma boa voz é importante em situações profissionais?
Leda Vasconcellos - A voz é como se fosse nossa impressão digital, ela nos identifica, diz quem realmente somos e o que estamos sentindo. A forma com que falamos gera impressões nos ouvintes. Se uma pessoa fala muito rápido, pode transmitir a impressão de estar ansioso. Se ela fala devagar, em tom grave e sem modulação, pode transmitir a impressão de estar triste e com falta de energia. Se ela fala com volume de voz reduzido pode ser considerada insegura. A voz é um elemento importante na interação. Ela deve estar coerente com o contexto e com os sentimentos.
O que devemos fazer para atrair a atenção das pessoas durante um discurso ou uma conversa?
Leda Vasconcellos - Devemos conhecer com antecedência quem são os ouvintes, quais são seus interesses e suas motivações e adequar a nossa mensagem às expectativas deles. Além disso, nossos comportamentos não-verbais devem ser expressivos o suficiente para prender a atenção do interlocutor, como voz clara e bem modulada, postura elegante, face expressiva, gestos coerentes com a fala etc. Esses comportamentos devem sofrer modificações conforme o contexto e o seu interlocutor. Por exemplo, se você estiver conversando com uma criança, pode ser mais expressiva,
usar frases curtas e simples, além de sempre usar alguma
ação (ex.: falar de um objeto manuseando-o e deixando a criança manusear); se você estiver respondendo às perguntas de uma banca examinadora durante um concurso para magistratura, deve demonstrar segurança e tranqüilidade, falando firme, mas com uma velocidade de fala agradável, uma postura ereta e alguns gestos; se quiser persuadir alguém, considerando a relação ganha-ganha, deve usar uma voz bem modulada, olhar nos olhos do interlocutor e demonstrar firmeza e flexibilidade ao mesmo tempo.
Como o orador pode avaliar a receptividade da platéia?
Leda Vasconcellos - Para avaliar a receptividade da platéia é preciso estar tranqüilo o suficiente para observá-la. Existem pessoas que ficam tão nervosas durante a apresentação que não olham para a platéia e transmitem a mensagem sem nenhuma interação. Se perguntarmos para essa pessoa qual
foi a reação da platéia, elas respondem “não sei, não consegui olhar para ninguém. Falei o que tinha que falar e saí”. Quando
a platéia está receptiva manifesta alguns comportamentos,
tais como olhar e expressão facial que demonstram interesse, perguntas, risadas diante de brincadeiras e postura confortável. Se as pessoas da platéia começam a conversar, ficam olhando para o relógio, levantam-se ou ficam movimentando-se na cadeira com freqüência, pode ser sinal
de desinteresse por algum motivo, que nem sempre é gerada pelo orador, como sono, fome ou problemas de saúde. Neste caso, é preciso melhorar a expressividade da fala, deixando a voz mais modulada, movimentando-se pela sala e mudando o conteúdo da fala com a introdução de fatos bem-humorados, histórias e analogias. Esta orientação serve para qualquer situação de comunicação, em grupo ou em díades.
Como perder o medo de participar de entrevistas de emprego, de falar ao microfone ou de estar diante de uma câmera numa entrevista ou em outra situação?
Leda Vasconcellos - Não tem uma outra forma se não a de expor-se. Não devemos nos furtar dessas situações. Devemos diminuir o grau de exigência de perfeição e relaxar para mostrar quem você realmente é. Ensaios e simulações com amigos
(não perfeccionistas) ou com ajuda profissional especializada são de grande importância. Mas a dica é: seja você mesmo.
Dicas de leitura
- “Timidez”, de Bernardo J. Carducci, da Editora Alegro
- “A arte da conversa e do convívio”, de Maria Tereza Maldonado e Alan Garner, da Editora Saraiva;
- “Seja Assertivo”, de Vera Martins, da Editora Alegro.
Existem também vários livros na área de oratória. Antes de comprar, é bom observar quem é o autor, sua formação e sua experiência na área, além de verificar se os itens do sumário são interessantes.
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