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Você sabia que falar em público
é o segundo maior medo da população? É o que afirma um dos dados da tese de doutorado da professora Leda Vasconcellos, de Campinas. E para esclarecer melhor o tema, Leda foi entrevistada pelos alunos
do quarto semestre de Redes de Computadores, da unidade Campinas. A professora é fonoaudióloga pela PUCAMP, especialista em voz pelo CRFa e Doutora em Psicologia pela USP.É também consultora em |
comunicação para diversos setores de uma empresa e diretora do ICOH – Instituto da Comunicação Humana.
Qual o perfil do profissional que busca sucesso? Ele precisa saber se expressar bem?
Leda Vasconcellos - Conhecimento técnico é extremamente importante, mas a boa comunicação é o que mantém as pessoas no mercado de trabalho. Profissionais de todas as áreas acabam deparando-se com situações de reuniões, negociações, argumentações, apresentações de projetos e entrevistas de emprego. A habilidade de se expressar e se relacionar bem deve fazer parte do perfil de qualquer profissional que busca sucesso.
Falar bem é um dom?
Leda Vasconcellos - Falar é uma habilidade aprendida. Tanto os sons das palavras que emitimos como a forma e o conteúdo do que falamos, dependem das experiências que tivemos desde que nascemos. Se nós usamos sons da língua portuguesa é porque tivemos experiência de contato com essa língua por meio de nossos pais ou adultos significativos. Se somos comunicativos é porque tivemos um ambiente favorável para expressar nossas idéias e sentimentos, desde nossa infância.
O contrário também é verdadeiro. Se nós falamos pouco é porque tivemos um modelo parecido ou não tivemos um ambiente favorável para desenvolver uma boa comunicação. Neste último caso, quando uma pessoa não se comunica de forma eficaz, seus relacionamentos pessoais e profissionais também são prejudicados. Portanto, falar, e fazer isso bem feito, não é um dom, mas resultado de treino.
Quais as pessoas que buscam cursos de oratória para aperfeiçoarem sua apresentação oral?
Leda Vasconcellos - Pessoas de todas as profissões procuram aperfeiçoamento de sua comunicação oral em cursos de oratória porque têm a necessidade de falar em público, seja para um público pequeno ou grande. Alguns dos profissionais são médicos, advogados, engenheiros, administradores, psicólogos e outros. Profissionais liberais ou executivos. E, atualmente os estudantes de graduação e pós-graduação
têm procurado por esse curso pela necessidade de apresentar seminários, trabalhos de conclusão de cursos, dissertações
e teses.
Quais são as maiores dificuldades das pessoas que falam
em público? Que orientações poderiam ser dadas para elas ultrapassarem essas dificuldades?
Leda Vasconcellos - As queixas mais freqüentes são os famosos “brancos”, não saber que comportamentos corporais devem manifestar e dificuldade para ordenar as idéias. Geralmente, as queixas coincidem com a minha avaliação profissional, além de detectar outras interferências negativas
e positivas. Pessoas que procuram por ajuda profissional, geralmente, têm uma autoconsciência apurada, o que facilita
a predisposição a mudanças.
São várias as orientações a serem dadas, entre elas conhecer
o público-alvo com antecedência para preparar o material apropriado, levando em consideração a profundidade do assunto e os recursos audiovisuais; organizar a apresentação com início, meio e final, para que saiba de que maneira vai cativar os ouvintes na introdução; que argumentos vai utilizar para prender a atenção durante o desenvolvimento e como vai concluir de forma a deixar sua apresentação marcante e inesquecível; ensaiar com antecedência para garantir o cumprimento do tempo da apresentação; treinar as etapas da fala e fazer uma análise dos pontos fortes para maximizá-los, como voz projetada, postura ereta e elegante, e dos fracos para suprimi-los, como gestos inexpressivos, vícios de linguagem etc. Os ensaios e a utilização de recursos audiovisuais ajudam a eliminar os “brancos”.
A timidez é uma barreira para falar em público?
Leda Vasconcellos - Um dos dados de minha tese de doutorado indicou que falar em público é o segundo maior
medo da população (resultado de uma pesquisa feita por mim, com 120 participantes, das cidades de Campinas e São Paulo) e o primeiro maior medo do tímido. Portanto, independentemente da timidez, falar em público é uma situação que gera desconforto para muitas pessoas. Mas, indiscutivelmente, a pessoa tímida sofre ainda mais. Elas têm mais manifestações, tais como suor excessivo, rubor, taquicardia, ansiedade, vergonha, pensamentos negativos, hesitações na fala, dificuldade em olhar para a platéia ou velocidade de fala acelerada. Assim, terminam sua apresentação insatisfeitas, acreditando que seu desempenho não foi satisfatório.
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